Tempo

Entre o ponto e a v;rgula

Por vezes, a nossa história não se limita a ser uma frase sem interrupções. Por vezes, há um ponto e vírgula que nos obriga a parar por um tempo, mudar e recomeçar. Mais do que uma vírgula, não se trata, neste caso, de uma mera pausa de respiração ou mudança de tom. Com o ponto […]

Beatriz Félix, Lourenço M. Ribeiro e Margarida Silva

Por vezes, a nossa história não se limita a ser uma frase sem interrupções. Por vezes, há um ponto e vírgula que nos obriga a parar por um tempo, mudar e recomeçar. Mais do que uma vírgula, não se trata, neste caso, de uma mera pausa de respiração ou mudança de tom. Com o ponto e vírgula, dá-se uma separação de ideias: sem que a frase termine totalmente, inicia-se uma outra, antes do verdadeiro ponto final.

Este sinal de pontuação é uma metáfora para alguns acontecimentos que obrigam a uma pausa na chamada vida normal, que a transformam (e que nos transformam) e que nos levam, depois, a um recomeço numa vida já diferente.

Estar em coma é uma das situações que pode ser encarada como um interregno na vida normal. Os dias passam, mas não são experienciados. Ao acordar, estas pessoas apercebem-se de que a vida passou, sem passar por elas.

Ricardo Vidal levava uma vida comum e sem grandes complicações, até que um dia, aos 19 anos, sofreu um acidente de viação que mudou para sempre os seus planos para o futuro.

Devido ao grave estado de saúde, Ricardo foi induzido em coma durante 23 dias. Mas afinal em que consiste este estado? Será que existe algum tipo de perceção relativamente ao meio envolvente? Para entendermos mais sobre esta condição, estivemos à conversa com o Dr. Marco Fernandes, neurologista no Hospital Egas Moniz.

Nas suas palavras, “Há muitas perturbações da consciência, digamos assim. O coma é uma perturbação da consciência muito mais grave. Ou seja, a pessoa não tem qualquer noção do ambiente à sua volta, nem está acordada”.

(perturbação da consciência)

O coma não acontece sempre da mesma maneira. Este pode ser induzido, quando é provocado pelos profissionais de saúde através de fármacos – para efetuar uma cirurgia ou para parar convulsões, por exemplo – ou pode ocorrer como resultado de um traumatismo provocado por um acidente.

Marco Fernandes explica ainda que as consequências do coma dependem sempre da sua causa. “Quando são causas primariamente cerebrais, geralmente existem défices de linguagem, défices de força, défices cognitivos, epilepsia… Se for uma causa sistémica, que está a afetar todo o corpo e a pessoa fica em coma – e se for reversível – tipicamente consegue-se melhorar, ou não deixar sequelas”, diz o Dr. Marco Fernandes. Além disto, o tempo durante o qual a pessoa está sem suporte médico após a ocorrência é também relevante na eventual gravidade das sequelas.

No que diz respeito ao acompanhamento dos doentes no pós-coma, o neurologista revela não ter conhecimento de haver uma estrutura de apoio definida no nosso país. O acompanhamento que existe é relacionado com as causas que provocaram o coma. Neste sentido, pode existir um encaminhamento para diversos tipos de terapia, quando necessário, não havendo, portanto, um acompanhamento médico posterior estritamente relacionado com o coma.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Aos 33 anos, Ricardo Vidal fala abertamente sobre o violento acidente que lhe provocou marcas físicas e psicológicas permanentes. Foi logo no primeiro dia em que conduziu para o trabalho que tudo aconteceu. Ia com um amigo, o carro despistou-se e embateu noutro veículo, provocando um incêndio, em ambas as viaturas, que deixou Ricardo com mais de metade do corpo queimado e várias partes deformadas.

Até a ajuda chegar, Ricardo, apesar de confuso, encontrava-se consciente. Foi já na ambulância e, por ter entrado em paragem cardiorrespiratória, que os profissionais de saúde se viram obrigados a entubá-lo e sedá-lo para que este conseguisse resistir aos ferimentos.  Recorda-se de ser informado de que estava a ser medicado para deixar de ter dores. “Pediram-me para eu me manter acordado, para ir falando com eles, conversando, para não adormecer. Recordo-me, perfeitamente, do fechar das portas da ambulância e depois recordo-me de me forçar a manter acordado. Acabei por não conseguir e  desliguei”, conta. Este fechar de portas é a sua última memória real até ao dia em que acordou do coma, mas representa também o encerrar do que tinha sido a sua história até então.

Fonte: Instagram @jricardovidal

VIVER O COMA

Do tempo em que esteve em coma, recorda-se de muito pouco, como seria de esperar. Apesar do estado de inconsciência em que se encontrava, revela recordar-se de vários sonhos repetitivos. Descritas como sombras que o perseguiam e das quais precisava escapar, Ricardo Vidal confidencia o teor das suas visões.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Relembra, ainda, um outro sonho que se assemelha à realidade. Neste sonho, Ricardo encontrava-se num hospital num país oriental – explica que os médicos lhe pareciam indianos – e tinha a sensação de estar sob ameaça. Por isso, debatia-se com os médicos para tentar fugir dali. No sonho chegou, inclusive, a “engendrar um plano”: pedir para ir à casa de banho e, nesse momento, fugir. Nunca conseguiu realizar a fuga.

O sonho aproxima-se, assim, do momento em que Ricardo é acordado do coma: “Acordei super agitado, as pessoas seguraram-me, a tentar manter-me calmo e eu dizia que queria ir à casa de banho”, narra Ricardo.

Hoje, através daquilo que a sua mãe lhe conta, não consegue ignorar as parecenças entre o discurso dela e o seu ao acordar. Ricardo acordou a insistir que queria ir à casa de banho (como no sonho) e, como os médicos não o queriam deixar fazê-lo, ele repetia aquilo que a mãe lhe dizia quando o visitava: “Sim, eu consigo, porque eu tenho força.”

Em todas as visitas, a mãe de Ricardo usava o mesmo tipo de discurso confiante e positivo, que havia sido recomendado por uma das médicas que o acompanharam. Primeiro, começava por contar todas as peripécias do seu dia e de toda a família, terminando sempre com a mesma mensagem de força: “Vá, coragem. Força. Continua. Tu és forte”.

O (RE)DESPERTAR

Mas os sonhos não duraram para sempre. Vinte e três dias depois de o coma lhe ter sido induzido, Ricardo foi acordado pelos médicos, através da diminuição dos sedativos. Quando acordou, ainda tinha o corpo todo ligado e os olhos vendados. Este fator, em conjunto com a medicação, dificultou a distinção entre sonho e realidade e fez com que a perceção de estar acordado não fosse imediata. Com o passar do tempo, foi conhecendo o novo meio envolvente que lhe era apresentado. A coerência das respostas dos profissionais de saúde foi um dos fatores que ajudou Ricardo Vidal a acreditar que, desta vez, não se tratava de um sonho.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Alguns dias depois de acordar, foi-lhe retirada a venda dos olhos e foi a partir desse momento que Ricardo conheceu o ambiente à sua volta. Apesar de ainda não conseguir ver com nitidez – uma vez que lhe era colocada uma pomada na vista para preparar a sua visão para a luz -, ver as sombras coloridas dos médicos já era uma maior aproximação à realidade. “Acho que aí é que tomei consciência de que «Ok, eu estou no hospital»”, explica Ricardo. Embora já soubesse que tinha tido um acidente, Ricardo não teve a perceção imediata da gravidade do mesmo nem do tempo que passou em coma. Essas informações foram-lhe dadas aos poucos, em resposta a perguntas que o próprio ia fazendo aos médicos e enfermeiros. O risco de cegar, a perna amputada, as mãos deformadas e a sua nova imagem foram algumas das respostas que não foram fáceis de encarar.

O que mais o chocou não foi propriamente o tempo que esteve neste estado de inconsciência. A ideia de “tempo perdido” não assombrou o seu pensamento, tanto quanto a iminência da morte.

18 MESES ;NTERNADO

O tempo em que esteve internado foi tudo menos calmo. Ricardo divide esta fase da sua vida “em três estádios”. O primeiro, na Unidade de Queimados do Hospital S. João, no Porto, onde pôde tomar consciência do seu “novo eu”. No segundo, após ter sido transferido para a Unidade Plástica do mesmo hospital, começou a sentir-se melhor, a pensar que estaria prestes a poder voltar para perto da família e iniciar o processo de reabilitação. Porém, no terceiro estádio foi transferido para a Unidade Hospitalar de Vila Nova de Gaia, onde regressaram as complicações. Começaram a surgir infeções, o que fez com que o estado visível de evolução desse lugar a um estado clínico regressivo. Por esta altura, passa pela Unidade de Queimados de Coimbra que, para seu agrado, disponibilizava mais tempo de visita e um maior número de visitantes, diferente do que acontecia no Hospital de S. João, onde só podia ter a visita de uma pessoa durante uma hora, através de um vidro. Em Coimbra, dispunha de mais tempo de visita e, além de poder ter uma pessoa no quarto, podia ver as restantes através de um vidro e ouvi-las através de um intercomunicador.

Mais tarde, devido ao estado crítico da sua saúde, é novamente transferido para a Unidade Plástica do S. João e é aqui que começa a duvidar de que será possível sair do internamento e voltar para casa, junto dos seus. Para Ricardo, era angustiante ver que o estado evolutivo desejado não se estava a cumprir. Assim, perante esta situação, as questões que mais o assombravam eram: “O que será a minha vida?”; “O que será o meu futuro?”; “Sairei algum dia deste terror?”.

De regresso à Unidade de Queimados, a evolução começava a notar-se e as perspectivas eram boas. Os médicos e enfermeiros transmitiam uma sensação de conforto e segurança a Ricardo, ao deixá-lo com a promessa de que não regressaria àquela unidade. Mesmo assim, ficou retido um pouco mais nesse espaço de forma a ter um melhor acompanhamento, com maior recurso a medicação, o que revelava, por parte da equipa médica, vontade de ajudar Ricardo da melhor maneira possível.

É, então, que deixa a Unidade de Queimados e é transferido para a Unidade Plástica, local já conhecido por si. Por esta altura, iniciou as sessões de fisioterapia, estabelecendo-se um ponto de viragem para Ricardo. A autonomia era agora uma palavra a incluir no seu vocabulário.

Durante os 18 meses em que esteve numa cama de hospital viu-se obrigado a encontrar maneiras de se manter ocupado. Na Unidade de Queimados, como passava muito tempo sozinho, durante grande parte do seu dia via televisão e a refletia sobre o seu passado e sobre os sonhos que tinha pensados para o futuro e que já não poderia concretizar. Já na Unidade Plástica, sendo os quartos partilhados, querendo ou não, acabava por ser “forçado a interagir” com os restantes pacientes, algo que se revelou duro a princípio, por se considerar uma pessoa introvertida. Era, principalmente, desconfortável, pois além de ter de lidar com as suas visitas, tinha de suportar as dos restantes utentes e enfrentar os seus olhares e comentários, sem poder fugir dali. Nesta altura, começou a ter mais autonomia, o que lhe trazia alento. Passou a ter acesso a uma cadeira de rodas e, com a ajuda de um pé e da mão, já tinha capacidade de se dirigir ao andar superior para tomar café.

À primeira vista, pode parecer assustador, mas Ricardo considera que mesmo tendo sido uma tarefa muito difícil, fez-lhe muito bem o tempo que passou sozinho.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Numa altura como aquela que Ricardo estava a viver, a família e amigos são uma peça fundamental para uma boa recuperação. “A minha mãe por acaso foi a minha manager”, brinca fazendo referência ao papel de extrema importância na coordenação do processo de visitas. Dava prioridade à presença da família, mas não deixava de dar a possibilidade de os amigos de Ricardo poderem estar com ele. As visitas ocorriam todos os dias, incluindo sábados e domingos, o que permitia uma grande rotatividade entre as várias pessoas. A maior surpresa veio da parte de visitas inesperadas, pessoas que Ricardo não esperava que o fossem ver, mas que procuravam levar palavras amigas.

Além do apoio de pessoas exteriores ao complexo hospitalar, também houve apoio por parte de toda a equipa de médicos e enfermeiros, mas isto nem sempre se verificou. No tempo em que esteve no Hospital de Vila Nova de Gaia, Ricardo confessou que não se sentiu muito apoiado. Mais tarde, após ter dado uma palestra à qual uma enfermeira que lidou com ele durante o internamento assistiu, percebeu que o apoio não chegava, não por falta de vontade da equipa médica, mas sim por falta de recursos e outras questões organizacionais que ultrapassavam os profissionais de saúde. Já noutras unidades hospitalares, conseguiu estabelecer relações de amizade com alguns dos médicos e enfermeiros com quem conviveu de perto.

FORA DO HOSP;TAL A LUTA CONT;NUA

Fonte: Instagram @jricardovidal

Após um longo período de internamento hospitalar, em que se encontrava num ambiente bastante controlado, Ricardo deparou-se com a obrigação de lidar com um maior número de pessoas do que aquilo a que estava habituado. Algumas teciam comentários positivos, mas havia um leque de pessoas que não o tratava com respeito.

Tudo isto exigiu que Ricardo se munisse de algumas armas, tornando-se mais resiliente e deixando de se importar com as opiniões alheias. Era preciso afastar o pensamento sempre presente  que “mais valia ficar em casa fechado”, longe dos olhares maldosos de que era alvo diariamente.

Atualmente, esses olhares já passam despercebidos. Apenas aqueles que o acompanham reparam nesses pormenores, uma vez que a capacidade de abstração de Ricardo se foi construindo.

Já fora do hospital, continuava a receber apoio por parte da equipa médica que sempre o acompanhou, através de chamadas e mensagens. Ricardo recebeu ainda um convite, por parte de uma das unidades hospitalares em que esteve internado, para integrar um grupo de pessoas com amputações. Neste grupo havia uma grande partilha de experiências, desafios e outros dilemas e uma grande compreensão entre todos os membros.

Além de todo o apoio intrahospitalar, os amigos de Ricardo nunca o deixaram desamparado no processo de reintegração na vida ativa, tentando sempre incentivá-lo a sair, mesmo nos dias em que estava com menos disposição. Desta forma, mesmo depois de terminar o tempo de internamento, o apoio não parou de chegar, contribuindo para uma melhor aceitação da sua “nova realidade”.

Esta era completamente diferente daquela que vivia antes do acidente. Mesmo assim, Ricardo não a inferioriza, chegando mesmo a dizer que é melhor em muitos aspetos.

NOVOS ;NTERESSES

O regresso à vida normal trouxe a Ricardo novos interesses. Antes de escrever o livro que mais tarde publicou (Viver com Alma), fez muita pesquisa e, sendo requisitado para diversas palestras, acabou por chegar ao coaching – processo de ampliação da consciência, desenvolvimento pessoal e profissional, com foco na perspetiva futura e em como transformá-la em realidade, no fundo, procura ajudar a atingir objetivos.

 Com várias formações nesta área, usou o coaching como ferramenta para melhor definir o modo como queria contar a sua história ao mundo, uma vez que não se queria focar no fator tragédia de toda a situação por que passou. Com o passar do tempo, começou a aperceber-se de que muitas pessoas procuravam neste método algo que o mesmo não podia oferecer, na medida em que “o coaching é apenas e só uma ferramenta, não é uma terapia”.

Pensando em voltar a estudar e em obter uma formação superior, o seu primeiro pensamento foi imediatamente direcionado para a Filosofia. O gosto pelo pensamento e pela reflexão, levou a que começasse a estudar para os exames de admissão à faculdade e a realizar a inscrição numa instituição de ensino superior. Porém, enquanto estudava, e ao ver a data dos exames a chegar, algo lhe dizia que não estava no caminho certo. Foi nessa altura que alguém sugeriu que Ricardo considerasse a possibilidade de mudar o seu rumo e escolher Psicologia. Esta foi uma proposta à qual reagiu com estranheza por não querer ser psicólogo, mas cedo ficou a perceber que podia apenas estudar sem, com isso, haver a obrigatoriedade de exercer a profissão.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Após alguma pesquisa, já se tinha rendido a todas as cadeiras que compunham o plano de estudos e acabou mesmo por entrar neste curso. Via, assim, na Psicologia um complemento ao seu conhecimento, uma ferramenta que lhe permitiria atribuir nomes reais a determinados conceitos que abordava nas suas palestras ou em outros contextos.

UMA NOVA FORMA DE ENCARAR A V;DA

Todo o processo pelo qual Ricardo passou, desde o acidente até à reinserção na vida ativa, passando pelo período de internamento, teve um efeito inevitável em si. Deste modo, a sua forma de encarar a vida e o tempo sofreu uma brusca rotação e muitas das suas conceções foram alteradas.

“Olhava tanto à imagem e agora foi algo que não perdi, mas que ficou desfigurada. E como é que se lida com isto?”, são as palavras de uma pessoa que se preocupava bastante com a sua aparência, mas que, depois do acidente, deixou essa preocupação para segundo plano, não perdendo a autoestima.

Atualmente, Ricardo diz ser uma pessoa muito mais disponível para conhecer pessoas novas e falar com elas. Tem mais cuidado com aqueles que o rodeiam – algo que apenas tinha com um círculo muito restrito – num processo de descentração da própria imagem que o levou a estar mais atento a outras pessoas ao invés de estar tão preocupado com o seu ser e com as suas coisas.

Fonte: Instagram @jricardovidal

Ricardo Vidal não deixou de acreditar que era possível refazer a sua vida. Aos 33 anos, pode orgulhar-se de ter conseguido atingir alguns objetivos e, mesmo que haja obstáculos, não perdeu a capacidade de sonhar.

SER NORMAL É SER MELHOR?

Ricardo Vidal foi vítima de um ponto e vírgula que o fez redirecionar a sua perspetiva sobre a vida. Passou por cirurgias, fisioterapias e esperou ansiosamente pelo regresso à sua “vida normal”. Mas, na verdade, nada voltaria a ser como dantes e Ricardo teve de fazer o luto da vida que conhecia até então, para, só depois, encarar o seu novo normal.

Mas então o que define uma vida normal? E por que razão nos esforçamos por regressar a ela sempre que acreditamos ter-nos desviado minimamente do caminho? O que nos leva, em sociedade, a associar o normal ao melhor? Não será possível que uma vida incomum, seja melhor do que uma “normal”?

E, afinal, o que tem a vida de Ricardo para não ser considerada normal? Acidentes, imprevistos, doenças? Embora em medidas diferentes, tudo isso é banal.

Toda a vida é um acumular de circunstâncias fáceis e difíceis que se entrelaçam até nos fazerem chegar ao momento presente. Se o normal for sinónimo de uma corrente com poucas ondulações, então talvez o normal não exista. Talvez o normal habite apenas nas nossas mentes e é quando nos desfazemos dele, deste ideal de vida pacífica e em conformidade com a vida dos que estão à nossa volta, que estamos efetivamente a viver.

Fonte: Instagram @jricardovidal